quarta-feira, março 16, 2005

Surpresa!

Como prometido, volto a alguns temas que mencionei no outro dia.

O metro. Os hábitos de leitura dos seus respectivos passageiros. As ocasioes em que isso me irrita.

Em primeiro lugar quero dizer que acho muito bem que as pessoas em geral tenham hábitos de leitura, quer sejam livros aos quadradinhos, poesia, romances, enciclopédias em 10 volumes, jornais, revistas e demais formatos da expressao escrita. Só nos faz é bem, de vez em quando, perdermo-nos no enredo de uma qualquer história, ou estar a par das últimas novidades. É saudável e educativo. Mas, porque em qualquer história há sempre um mas, por vezes parece-me que algumas pessoas cometem exageros e isso num dia mau irrita-me ou, vá lá, deixa-me um pouco chateado com a sua falta de educaçao.

Nao sei se é um fenómeno recente ou nao mas por aqui as pessoas lêem bastante no metro, e parece-me que a coisa está a piorar com o surgimento de 2 ou 3 jornais de distribuiçao gratuita (que propositadamente sao oferecidos por exemplo na entrada do metro...). Ora bem, normalmente nao haveria problema que alguém decidisse aproveitar os momentos em que viaja pelas profundezas mais obscuras da capital castelhana para ler um bocadito. Quando fazem isto na hora de ponta é que a "porca torce o rabo". Sim, porque estes respeitadores cidadaos nao se coibem de abrir o seu jornaleco ou livro mesmo que a carruagem esteja cheia! Podem imaginar a situaçao, né... para além do espaço extra que assim ocupam, e como obviamente têm de segurar o jornal ou livro e normalmente levam mais qualquer coisa nas maos estas nao lhes chegam para se segurarem. Portanto, passam a viagem toda a tentar equilibrar-se e inevitavelmente de vez em quando aos encontroes aos outros passageiros.
Mas o pior mesmo é quando se colocam nestas figuras junto à porta, bloqueando ou dificultando a passagem a quem quer entrar ou sair. Se tivermos sorte eles saiem na mesma estaçao que nós, mas como vao andando e lendo ao mesmo tempo vao por ali fora a passo de caracol, numa linha de trajectória pouco definida a empatar toda a gente que tem de se ir desviando de suas excelências.

E pergunto eu: quantas páginas é que se consegue efectivamente ler nestas condiçoes em 2 ou 3 estaçoes de metro? No máximo 1 ou 2 se fôr um livro de bolso... Será que vale a pena? Eu acho que deve ser mais uma mania ou vício provocada pelo "desejo de imitaçao" daqueles que efectivamente lêem (os que vao sentadinhos no seu lugar, sem incomodar ninguém e que normalmente viajam por uma boa parte da linha, mais de 1/2 hora portanto). E depois podem dizer aos amigos "ah e tal eu leio sempre no metro e nao sei quê...." que devem ficar muito impressionados com tamanha capacidade.

Bem, acima de tudo em certas condiçoes eu acho que se trata simplesmente de falta de respeito pelos outros passageiros e duvido que os benefícios que retirem daí sejam assim tao grandes... mas pronto, nao me resta outra alternativa que nao seja ir fazendo slalom entre os obstáculos andantes que me vao surgindo pela frente e com um bocado de sorte arrastar uma ou outra folha de jornal à minha passagem. Sempre por acidente, claro!

Mas como passo bastante tempo no metro há mais umas coisinhas pitorescas. Os "músicos" ambulantes sao um fenómeno por si só... a maior parte das vezes nao muito agradável, diga-se. Eles até se esforçam, o suor a escorrer dos seus rostos é evidente (o que já nao sei é há quantos dias lá está esse mesmo suor) mas a qualidade....

Em Portugal, o típico é um ou mais imigrantes de leste com o seu acordeao todo partido a tocar uma música qualquer tradicional que seja conhecida. Cá também há desses, mas depois há também os outros das superproduçoes musicais com todos os tipos de instrumentos e músicas. Pessoas que montam o seu pequeno palco com colunas de som e acompanhamento musical da versao original e tudo. Só é pena que este acompanhamento a maior parte das vezes apenas sirva para realçar o quao longe estes músicos estao da qualidade do original. Quando pensava que já nada me iria surpreender, a realidade provou ir muito mais longe que a minha imaginaçao, uma mulher entra na carruagem e começa a cantar a plenos pulmoes. Assim sem mais nem menos e sem qualquer música como pano de fundo. "Épá pronto, isto é o limite" pensei, bati no fundo do poço.... mas nao, no outro dia, e porque a concorrência é forte, uma outra levou este conceito mais longe e entrou com o seu carrinho com uma coluna de som, microfone, um leitor de mp3 para fornecer a banda sonora e cantou, cantou, cantou... passou por 2 ou 3 músicas e depois finalmente começou a recolher os donativos. Bem, eu naquela altura até seria capaz de lhe dar uns trocos para ela se calar, mas nao ia servir de nada porque eles encaram isso como um incentivo a continuar.

Acho que há aqui uma certa confusao nos conceitos, os cantores pensam que os passageiros lhes pagam porque gostaram especialmente daquele bocadinho no final do dia de trabalho depois de aturar um chefe maníaco e os passageiros pagam para "ver se este gajo me desampara a loja!". Assim ninguém se entende e entramos num ciclo vicioso em que todos saem prejudicados.

Eu sei que a maior parte deles sao estrangeiros, estao por cá há pouco tempo e nao falam muito bem a língua, mas alguém lhes devia tentar explicar que as pessoas estariam dispostas a pagar mais para que eles nao cantem, nao toquem, enfim nao chateiem. Por exemplo, podiam entrar no metro e dizer: "Estou aqui para cantar uma música pimba muito gira da Roménia, que tenho a certeza vao adorar apesar de nao conhecerem nem perceberem patavina da letra. Tanto quanto sabem até posso estar a insultar-vos e a todos os vossos antepassados enquanto estou com o meu melhor sorriso na cara. Mas antes disso vou recolher a esmola, se ficar satisfeito com o valor angariado nao canto e saio já na próxima paragem, caso contrário terao aqui ao vivo uma versao do festival da cançao da Uniao Europeia a 25". Assim as regras estariam claras para ambos os lados e o mercado do entretenimento seria muito mais eficaz.

Aposto que os corredores e carruagens de metro seriam lugares muito mais sossegados e assim os outros cromos já podiam ler com tranquilidade, podia ser que acabassem o livro mais depressa e o guardassem...

Parecendo que nao estas coisas estao todas encadeadas... e tenho a certeza que o Bush tem alguma coisa a ver com o problema. Só ainda nao descobri qual a ligaçao.

Isto é um pouco como dar uma gorjeta num restaurante. Uma vez por excepçao e só se o empregado realmente merecer ainda se compreende, agora automaticamente e por sistema é contraproducente e cria vícios. Em certos sítios até acrescentam os belos 10% no final da conta que é para poupar aquelas dúvidas se a gorjeta é pequena ou grande... Bem, aqui nao acontece mas nos EUA e Brasil por exemplo acontece muitas vezes.

Como devem calcular nao sou a favor deste tipo de retribuiçao. Se nao der gorjeta é suposto que o serviço seja pior da próxima vez que lá fôr, mas se nao voltar lá qual é a penalizaçao? Nenhuma, serviço já foi prestado... E se voltar lá e o serviço fôr propositadamente mau como represália pelos meus actos anteriores o pior que pode acontecer é passar a ir comer a outro lado. Há tantos restaurantes por aí.... Portanto o que realmente acontece é que a qualidade do serviço prestado nao é significativamente alterado pelo facto de dar ou nao gorjeta. Primeiro porque se assim fosse os restaurantes arriscavam-se a perder clientes, segundo porque à partida o empregado nao sabe se eu dou gorjeta ou nao. Quando uma pessoa entra eles nao perguntam "Mesa para quantos? Muito bem cavalheiro. E está a pensar dar gorjeta ou nao?". Portanto a incerteza joga a nosso favor e faz com que nuns 90% dos casos esse dinheiro seja pura e simplesmente desperdiçado pois nao tem um retorno palpável. Já para nao falar que nao dá para pedir factura para o IRS.... Isto do ponto de vista do consumidor, claro.

A única coisa que o empregado pode fazer para se vingar é cuspir-me na sopa, mas também como eu nao costumo comer sopa, tá-se bem! Até prova em contrário parece-me a melhor estratégia.
Por outro lado, estar a pagar extra porque uma pessoa fez exactamente aquilo que é suposto fazer nao me parece muito correcto, ele que peça um prémio ao patrao. É como se o cliente para o qual eu trabalho no projecto me fosse dando umas moeditas todos os dias só porque eu apareci e tal... nao tem o mínimo sentido e seria considerado ridículo.

E por falar em restaurantes, tenho também umas coisas a dizer sobre esse assunto. Fica para a próxima.



PS: Eu nao disse que o Santana ia voltar para a CML?!?! Só tem mais uns mesinhos para acabar de consolidar o défice record que lá deixou mas eu confio nas capacidades dele....

Qualquer dia ainda me chamam para substituir o Prof. Marcelo na TVI, com a qualidade dos meus prognósticos nos últimos tempos era o mais natural. Nao falho uma.

Oh Eduardo, vê lá se me metes uma cunha para o jornal do fim de semana, assim aproveito as visitas para ganhar uns trocos. Era isso ou tirar o lugar ao Prof. Karamba, mas a parte de rogar pragas e tal ainda nao domino...

E aproveito para escrever o meu mais recente prognóstico. O Benfica vai ganhar o Campeonato e a Taça. Deste ano.


Tenho dito.

segunda-feira, março 07, 2005

Festa-Comício

Olá povo!
Dirijo-me a vós nesta altura conturbada da vida política nacional e internacional para pedir a vossa atençao e apelar ao vosso bom senso, para que escutem a mensagem que....

ahnnnn espera aí...
Isto já vem fora de tempo. Bolas, voltei a estar uma eternidade sem actualizar o raio do site. Ok, Ok, faço um me(i)a culpa, até porque a culpa é só metade minha, a outra metade é do meu portátil que continua de greve e da Internet que nem sempre está acessivel quando me dá na real gana. Desculpas...
Bom, desde a última vez que aqui passei muitas coisas aconteceram por esse mundo fora. Umas graves, outras ainda mais graves e umas quantas gravíssimas.

Por exemplo, grave é o xôr dótor Pedro Santana Lopes querer voltar para a Camara de Lisboa agora que o puseram de castigo e nao o deixam ir brincar aos primeiros-ministros para o recreio. Mais grave que isso é que é bem capaz de o conseguir fazer, no entanto gravíssimo é ele nao aprender a liçao e ser menino para se candidatar de novo nas próximas eleiçoes, sejam elas Autárquicas, Presidenciais ou para o grupo organizador do 76º Campeonato de Sueca da Junta de Freguesia da Lapa, a decorrer nos bancos oeste do jardim de Campo de Ourique durante os santos populares. Bem, neste caso, torna-se claro que o homem vai enganado, pois quando leu o panfleto, afixado na Tasca do Sr. Américo (pessoal do ISLA, isto ainda existe?), na diagonal, compreendeu Campeonato de Suecas e julga que vai ser presidente de uma organizaçao qualquer de nórdicas, atléticas e cheias de saúde, dispostas a executar todas as suas ordens.

A nível internacional, grave é todos os dias haver atentados e sequestros no Iraque (la bella democracia, todos sao livres de se fazerem explodir), mas mais grave que isso é que os governos ocidentais apoiantes e colaboradores da invasao se vejam obrigados a pagar resgastes aos bandos criminosos para saírem de situaçoes embaraçosas a nível interno. No entanto, gravíssimo é que quando se sujeitam a essa suprema humilhaçao, cedendo a um grupo qualquer de "criminosos", e conseguem libertar um desses reféns estes sao impiedosamente alvejados pelo grande amigalhaço e aliado Uncle Sam!!! Uma espécie de castigo para nao estarem a financiar o inimigo. O sinal é claro, "Nao vale a pena pagarem resgates, desperdiçam tempo e dinheiro, porque se os terroristas nao matarem os refém nós tratamos do assunto!"Sim, estou a referir-me ao recente caso da jornalista italiana. Que até seria algo cómico se nao fosse tao trágico e vergonhoso... e nunca vamos saber o que realmente aconteceu. No Vietnam também havia muitas baixas por friendly fire e deu no que deu... aqui nao antevejo nada de glorioso.

Mas como ia dizendo, ao longo deste tempo, muita coisa foi acontecendo por aqui e também com umas viagens à terra-mae pelo meio, e seria difícil estar agora a recordar todos os pormenores para escrever aqui. Portanto, o que proponho fazer é ir contando algumas coisas que me fôr lembrando sem ordem cronológica definida. Espero agora ter mais tempo e disposiçao para o fazer uma vez que mudei de projecto e este agora parece-me que me vai dar mais oportunidades de colocar a escrita em dia (leia-se tempos mortos sem nada interessante para fazer).

E começo com uma coisa que me anda a chatear ultimamente, já tinha contado que volta e meia me pedem indicaçoes na rua. Acontece que ultimamente têm exagerado, é praticamente todos os dias ou mesmo várias vezes por dia... tou a ficar alarmado, será que é assim tao fácil confundirem-me com um espanhol?!?!?! Ou será que tenho ar de quem sabe perfeitamente onde está e para onde vai, para além do nome de todas as ruas e becos da cidade? Já agora o código postal também, nao?!?!Tanto faz serem turistas japoneses, italianos, imigrantes de leste, velhinhas ou espanhóis de todas as espécies. Quando nao sabem onde estao e mesmo que estejam a passar mais 200 pessoas na rua perguntam-me a mim....

Pelo sim pelo nao, peço-vos que caso notem algo estranho em mim, como uma transformaçao de comportamento, começar a dizer coño ou joder de 3 em 3 palavras, aparecer com um corte de cabelo estranho e roupas igualmente duvidosas por favor... put me out of my misery!!! Viram o Alien? Nao tenham piedade pois é tarde demais para mim, mas vocês ainda se podem salvar... e salvar a nossa civilizaçao!

Para a próxima conto-vos outra coisa que me está a irritar, tem a ver com o metro, seus passageiros e alguns dos seus hábitos. Lembrem-me.

E agora nao me apetece escrever mais, já vos falei da 19234723674567276562394ª onda de frio ártico que abriu os telejornais hoje de manha? Temperaturas baixas, as crianças nao vao à escola na terrinha de montanha lá detrás do sol posto, acidentes, gelo nas estradas, limpeza com sal, serviços de urgência aconselham que... blablabla... é isso e o estado de saúde do Papa. Hoje o sr. Papa veio à janela e acenou... tal como fez ontem e anteontem e tal como tem feito desde sempre... mas hoje estava um bocadinho mais para a esquerda. E havia um grupo de peregrinos a cantar e dançar na rua, que era diferente do grupo que estava lá ontem mas que tinham o mesmo objectivo, animar o santo padre.

Que enjoo!

Um dia destes falo-vos do buraco no metro de Barcelona (se fosse o Santana Lopes a programar o túnel a derrocada nao acontecia, nem que passasse a 5 mm dos prédios) e dos célebres 3%... que ninguém sabe muito bem o que sao. Mas que podem causar mais estragos que a derrocada do túnel.

Até ao mês que vem :-P (ou se calhar só para o outro) Comportem-se!