Surpresa!
Como prometido, volto a alguns temas que mencionei no outro dia.
O metro. Os hábitos de leitura dos seus respectivos passageiros. As ocasioes em que isso me irrita.
Em primeiro lugar quero dizer que acho muito bem que as pessoas em geral tenham hábitos de leitura, quer sejam livros aos quadradinhos, poesia, romances, enciclopédias em 10 volumes, jornais, revistas e demais formatos da expressao escrita. Só nos faz é bem, de vez em quando, perdermo-nos no enredo de uma qualquer história, ou estar a par das últimas novidades. É saudável e educativo. Mas, porque em qualquer história há sempre um mas, por vezes parece-me que algumas pessoas cometem exageros e isso num dia mau irrita-me ou, vá lá, deixa-me um pouco chateado com a sua falta de educaçao.
Nao sei se é um fenómeno recente ou nao mas por aqui as pessoas lêem bastante no metro, e parece-me que a coisa está a piorar com o surgimento de 2 ou 3 jornais de distribuiçao gratuita (que propositadamente sao oferecidos por exemplo na entrada do metro...). Ora bem, normalmente nao haveria problema que alguém decidisse aproveitar os momentos em que viaja pelas profundezas mais obscuras da capital castelhana para ler um bocadito. Quando fazem isto na hora de ponta é que a "porca torce o rabo". Sim, porque estes respeitadores cidadaos nao se coibem de abrir o seu jornaleco ou livro mesmo que a carruagem esteja cheia! Podem imaginar a situaçao, né... para além do espaço extra que assim ocupam, e como obviamente têm de segurar o jornal ou livro e normalmente levam mais qualquer coisa nas maos estas nao lhes chegam para se segurarem. Portanto, passam a viagem toda a tentar equilibrar-se e inevitavelmente de vez em quando aos encontroes aos outros passageiros.
O metro. Os hábitos de leitura dos seus respectivos passageiros. As ocasioes em que isso me irrita.
Em primeiro lugar quero dizer que acho muito bem que as pessoas em geral tenham hábitos de leitura, quer sejam livros aos quadradinhos, poesia, romances, enciclopédias em 10 volumes, jornais, revistas e demais formatos da expressao escrita. Só nos faz é bem, de vez em quando, perdermo-nos no enredo de uma qualquer história, ou estar a par das últimas novidades. É saudável e educativo. Mas, porque em qualquer história há sempre um mas, por vezes parece-me que algumas pessoas cometem exageros e isso num dia mau irrita-me ou, vá lá, deixa-me um pouco chateado com a sua falta de educaçao.
Nao sei se é um fenómeno recente ou nao mas por aqui as pessoas lêem bastante no metro, e parece-me que a coisa está a piorar com o surgimento de 2 ou 3 jornais de distribuiçao gratuita (que propositadamente sao oferecidos por exemplo na entrada do metro...). Ora bem, normalmente nao haveria problema que alguém decidisse aproveitar os momentos em que viaja pelas profundezas mais obscuras da capital castelhana para ler um bocadito. Quando fazem isto na hora de ponta é que a "porca torce o rabo". Sim, porque estes respeitadores cidadaos nao se coibem de abrir o seu jornaleco ou livro mesmo que a carruagem esteja cheia! Podem imaginar a situaçao, né... para além do espaço extra que assim ocupam, e como obviamente têm de segurar o jornal ou livro e normalmente levam mais qualquer coisa nas maos estas nao lhes chegam para se segurarem. Portanto, passam a viagem toda a tentar equilibrar-se e inevitavelmente de vez em quando aos encontroes aos outros passageiros.
Mas o pior mesmo é quando se colocam nestas figuras junto à porta, bloqueando ou dificultando a passagem a quem quer entrar ou sair. Se tivermos sorte eles saiem na mesma estaçao que nós, mas como vao andando e lendo ao mesmo tempo vao por ali fora a passo de caracol, numa linha de trajectória pouco definida a empatar toda a gente que tem de se ir desviando de suas excelências.
E pergunto eu: quantas páginas é que se consegue efectivamente ler nestas condiçoes em 2 ou 3 estaçoes de metro? No máximo 1 ou 2 se fôr um livro de bolso... Será que vale a pena? Eu acho que deve ser mais uma mania ou vício provocada pelo "desejo de imitaçao" daqueles que efectivamente lêem (os que vao sentadinhos no seu lugar, sem incomodar ninguém e que normalmente viajam por uma boa parte da linha, mais de 1/2 hora portanto). E depois podem dizer aos amigos "ah e tal eu leio sempre no metro e nao sei quê...." que devem ficar muito impressionados com tamanha capacidade.
Bem, acima de tudo em certas condiçoes eu acho que se trata simplesmente de falta de respeito pelos outros passageiros e duvido que os benefícios que retirem daí sejam assim tao grandes... mas pronto, nao me resta outra alternativa que nao seja ir fazendo slalom entre os obstáculos andantes que me vao surgindo pela frente e com um bocado de sorte arrastar uma ou outra folha de jornal à minha passagem. Sempre por acidente, claro!
Mas como passo bastante tempo no metro há mais umas coisinhas pitorescas. Os "músicos" ambulantes sao um fenómeno por si só... a maior parte das vezes nao muito agradável, diga-se. Eles até se esforçam, o suor a escorrer dos seus rostos é evidente (o que já nao sei é há quantos dias lá está esse mesmo suor) mas a qualidade....
Em Portugal, o típico é um ou mais imigrantes de leste com o seu acordeao todo partido a tocar uma música qualquer tradicional que seja conhecida. Cá também há desses, mas depois há também os outros das superproduçoes musicais com todos os tipos de instrumentos e músicas. Pessoas que montam o seu pequeno palco com colunas de som e acompanhamento musical da versao original e tudo. Só é pena que este acompanhamento a maior parte das vezes apenas sirva para realçar o quao longe estes músicos estao da qualidade do original. Quando pensava que já nada me iria surpreender, a realidade provou ir muito mais longe que a minha imaginaçao, uma mulher entra na carruagem e começa a cantar a plenos pulmoes. Assim sem mais nem menos e sem qualquer música como pano de fundo. "Épá pronto, isto é o limite" pensei, bati no fundo do poço.... mas nao, no outro dia, e porque a concorrência é forte, uma outra levou este conceito mais longe e entrou com o seu carrinho com uma coluna de som, microfone, um leitor de mp3 para fornecer a banda sonora e cantou, cantou, cantou... passou por 2 ou 3 músicas e depois finalmente começou a recolher os donativos. Bem, eu naquela altura até seria capaz de lhe dar uns trocos para ela se calar, mas nao ia servir de nada porque eles encaram isso como um incentivo a continuar.
Acho que há aqui uma certa confusao nos conceitos, os cantores pensam que os passageiros lhes pagam porque gostaram especialmente daquele bocadinho no final do dia de trabalho depois de aturar um chefe maníaco e os passageiros pagam para "ver se este gajo me desampara a loja!". Assim ninguém se entende e entramos num ciclo vicioso em que todos saem prejudicados.
Eu sei que a maior parte deles sao estrangeiros, estao por cá há pouco tempo e nao falam muito bem a língua, mas alguém lhes devia tentar explicar que as pessoas estariam dispostas a pagar mais para que eles nao cantem, nao toquem, enfim nao chateiem. Por exemplo, podiam entrar no metro e dizer: "Estou aqui para cantar uma música pimba muito gira da Roménia, que tenho a certeza vao adorar apesar de nao conhecerem nem perceberem patavina da letra. Tanto quanto sabem até posso estar a insultar-vos e a todos os vossos antepassados enquanto estou com o meu melhor sorriso na cara. Mas antes disso vou recolher a esmola, se ficar satisfeito com o valor angariado nao canto e saio já na próxima paragem, caso contrário terao aqui ao vivo uma versao do festival da cançao da Uniao Europeia a 25". Assim as regras estariam claras para ambos os lados e o mercado do entretenimento seria muito mais eficaz.
Aposto que os corredores e carruagens de metro seriam lugares muito mais sossegados e assim os outros cromos já podiam ler com tranquilidade, podia ser que acabassem o livro mais depressa e o guardassem...
Parecendo que nao estas coisas estao todas encadeadas... e tenho a certeza que o Bush tem alguma coisa a ver com o problema. Só ainda nao descobri qual a ligaçao.
Isto é um pouco como dar uma gorjeta num restaurante. Uma vez por excepçao e só se o empregado realmente merecer ainda se compreende, agora automaticamente e por sistema é contraproducente e cria vícios. Em certos sítios até acrescentam os belos 10% no final da conta que é para poupar aquelas dúvidas se a gorjeta é pequena ou grande... Bem, aqui nao acontece mas nos EUA e Brasil por exemplo acontece muitas vezes.
Como devem calcular nao sou a favor deste tipo de retribuiçao. Se nao der gorjeta é suposto que o serviço seja pior da próxima vez que lá fôr, mas se nao voltar lá qual é a penalizaçao? Nenhuma, serviço já foi prestado... E se voltar lá e o serviço fôr propositadamente mau como represália pelos meus actos anteriores o pior que pode acontecer é passar a ir comer a outro lado. Há tantos restaurantes por aí.... Portanto o que realmente acontece é que a qualidade do serviço prestado nao é significativamente alterado pelo facto de dar ou nao gorjeta. Primeiro porque se assim fosse os restaurantes arriscavam-se a perder clientes, segundo porque à partida o empregado nao sabe se eu dou gorjeta ou nao. Quando uma pessoa entra eles nao perguntam "Mesa para quantos? Muito bem cavalheiro. E está a pensar dar gorjeta ou nao?". Portanto a incerteza joga a nosso favor e faz com que nuns 90% dos casos esse dinheiro seja pura e simplesmente desperdiçado pois nao tem um retorno palpável. Já para nao falar que nao dá para pedir factura para o IRS.... Isto do ponto de vista do consumidor, claro.
A única coisa que o empregado pode fazer para se vingar é cuspir-me na sopa, mas também como eu nao costumo comer sopa, tá-se bem! Até prova em contrário parece-me a melhor estratégia.
E pergunto eu: quantas páginas é que se consegue efectivamente ler nestas condiçoes em 2 ou 3 estaçoes de metro? No máximo 1 ou 2 se fôr um livro de bolso... Será que vale a pena? Eu acho que deve ser mais uma mania ou vício provocada pelo "desejo de imitaçao" daqueles que efectivamente lêem (os que vao sentadinhos no seu lugar, sem incomodar ninguém e que normalmente viajam por uma boa parte da linha, mais de 1/2 hora portanto). E depois podem dizer aos amigos "ah e tal eu leio sempre no metro e nao sei quê...." que devem ficar muito impressionados com tamanha capacidade.
Bem, acima de tudo em certas condiçoes eu acho que se trata simplesmente de falta de respeito pelos outros passageiros e duvido que os benefícios que retirem daí sejam assim tao grandes... mas pronto, nao me resta outra alternativa que nao seja ir fazendo slalom entre os obstáculos andantes que me vao surgindo pela frente e com um bocado de sorte arrastar uma ou outra folha de jornal à minha passagem. Sempre por acidente, claro!
Mas como passo bastante tempo no metro há mais umas coisinhas pitorescas. Os "músicos" ambulantes sao um fenómeno por si só... a maior parte das vezes nao muito agradável, diga-se. Eles até se esforçam, o suor a escorrer dos seus rostos é evidente (o que já nao sei é há quantos dias lá está esse mesmo suor) mas a qualidade....
Em Portugal, o típico é um ou mais imigrantes de leste com o seu acordeao todo partido a tocar uma música qualquer tradicional que seja conhecida. Cá também há desses, mas depois há também os outros das superproduçoes musicais com todos os tipos de instrumentos e músicas. Pessoas que montam o seu pequeno palco com colunas de som e acompanhamento musical da versao original e tudo. Só é pena que este acompanhamento a maior parte das vezes apenas sirva para realçar o quao longe estes músicos estao da qualidade do original. Quando pensava que já nada me iria surpreender, a realidade provou ir muito mais longe que a minha imaginaçao, uma mulher entra na carruagem e começa a cantar a plenos pulmoes. Assim sem mais nem menos e sem qualquer música como pano de fundo. "Épá pronto, isto é o limite" pensei, bati no fundo do poço.... mas nao, no outro dia, e porque a concorrência é forte, uma outra levou este conceito mais longe e entrou com o seu carrinho com uma coluna de som, microfone, um leitor de mp3 para fornecer a banda sonora e cantou, cantou, cantou... passou por 2 ou 3 músicas e depois finalmente começou a recolher os donativos. Bem, eu naquela altura até seria capaz de lhe dar uns trocos para ela se calar, mas nao ia servir de nada porque eles encaram isso como um incentivo a continuar.
Acho que há aqui uma certa confusao nos conceitos, os cantores pensam que os passageiros lhes pagam porque gostaram especialmente daquele bocadinho no final do dia de trabalho depois de aturar um chefe maníaco e os passageiros pagam para "ver se este gajo me desampara a loja!". Assim ninguém se entende e entramos num ciclo vicioso em que todos saem prejudicados.
Eu sei que a maior parte deles sao estrangeiros, estao por cá há pouco tempo e nao falam muito bem a língua, mas alguém lhes devia tentar explicar que as pessoas estariam dispostas a pagar mais para que eles nao cantem, nao toquem, enfim nao chateiem. Por exemplo, podiam entrar no metro e dizer: "Estou aqui para cantar uma música pimba muito gira da Roménia, que tenho a certeza vao adorar apesar de nao conhecerem nem perceberem patavina da letra. Tanto quanto sabem até posso estar a insultar-vos e a todos os vossos antepassados enquanto estou com o meu melhor sorriso na cara. Mas antes disso vou recolher a esmola, se ficar satisfeito com o valor angariado nao canto e saio já na próxima paragem, caso contrário terao aqui ao vivo uma versao do festival da cançao da Uniao Europeia a 25". Assim as regras estariam claras para ambos os lados e o mercado do entretenimento seria muito mais eficaz.
Aposto que os corredores e carruagens de metro seriam lugares muito mais sossegados e assim os outros cromos já podiam ler com tranquilidade, podia ser que acabassem o livro mais depressa e o guardassem...
Parecendo que nao estas coisas estao todas encadeadas... e tenho a certeza que o Bush tem alguma coisa a ver com o problema. Só ainda nao descobri qual a ligaçao.
Isto é um pouco como dar uma gorjeta num restaurante. Uma vez por excepçao e só se o empregado realmente merecer ainda se compreende, agora automaticamente e por sistema é contraproducente e cria vícios. Em certos sítios até acrescentam os belos 10% no final da conta que é para poupar aquelas dúvidas se a gorjeta é pequena ou grande... Bem, aqui nao acontece mas nos EUA e Brasil por exemplo acontece muitas vezes.
Como devem calcular nao sou a favor deste tipo de retribuiçao. Se nao der gorjeta é suposto que o serviço seja pior da próxima vez que lá fôr, mas se nao voltar lá qual é a penalizaçao? Nenhuma, serviço já foi prestado... E se voltar lá e o serviço fôr propositadamente mau como represália pelos meus actos anteriores o pior que pode acontecer é passar a ir comer a outro lado. Há tantos restaurantes por aí.... Portanto o que realmente acontece é que a qualidade do serviço prestado nao é significativamente alterado pelo facto de dar ou nao gorjeta. Primeiro porque se assim fosse os restaurantes arriscavam-se a perder clientes, segundo porque à partida o empregado nao sabe se eu dou gorjeta ou nao. Quando uma pessoa entra eles nao perguntam "Mesa para quantos? Muito bem cavalheiro. E está a pensar dar gorjeta ou nao?". Portanto a incerteza joga a nosso favor e faz com que nuns 90% dos casos esse dinheiro seja pura e simplesmente desperdiçado pois nao tem um retorno palpável. Já para nao falar que nao dá para pedir factura para o IRS.... Isto do ponto de vista do consumidor, claro.
A única coisa que o empregado pode fazer para se vingar é cuspir-me na sopa, mas também como eu nao costumo comer sopa, tá-se bem! Até prova em contrário parece-me a melhor estratégia.
Por outro lado, estar a pagar extra porque uma pessoa fez exactamente aquilo que é suposto fazer nao me parece muito correcto, ele que peça um prémio ao patrao. É como se o cliente para o qual eu trabalho no projecto me fosse dando umas moeditas todos os dias só porque eu apareci e tal... nao tem o mínimo sentido e seria considerado ridículo.
E por falar em restaurantes, tenho também umas coisas a dizer sobre esse assunto. Fica para a próxima.
PS: Eu nao disse que o Santana ia voltar para a CML?!?! Só tem mais uns mesinhos para acabar de consolidar o défice record que lá deixou mas eu confio nas capacidades dele....
Qualquer dia ainda me chamam para substituir o Prof. Marcelo na TVI, com a qualidade dos meus prognósticos nos últimos tempos era o mais natural. Nao falho uma.
Oh Eduardo, vê lá se me metes uma cunha para o jornal do fim de semana, assim aproveito as visitas para ganhar uns trocos. Era isso ou tirar o lugar ao Prof. Karamba, mas a parte de rogar pragas e tal ainda nao domino...
E aproveito para escrever o meu mais recente prognóstico. O Benfica vai ganhar o Campeonato e a Taça. Deste ano.
Tenho dito.
E por falar em restaurantes, tenho também umas coisas a dizer sobre esse assunto. Fica para a próxima.
PS: Eu nao disse que o Santana ia voltar para a CML?!?! Só tem mais uns mesinhos para acabar de consolidar o défice record que lá deixou mas eu confio nas capacidades dele....
Qualquer dia ainda me chamam para substituir o Prof. Marcelo na TVI, com a qualidade dos meus prognósticos nos últimos tempos era o mais natural. Nao falho uma.
Oh Eduardo, vê lá se me metes uma cunha para o jornal do fim de semana, assim aproveito as visitas para ganhar uns trocos. Era isso ou tirar o lugar ao Prof. Karamba, mas a parte de rogar pragas e tal ainda nao domino...
E aproveito para escrever o meu mais recente prognóstico. O Benfica vai ganhar o Campeonato e a Taça. Deste ano.
Tenho dito.

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